O Primeiro Chrysler autêntico. (1969
/ 1970 - Dart)
O
primeiro produto fabricado pela Chrysler no Brasil foi o Caminhão
D-400, lançado no início de 1969, mas no mês de
outubro era lançado o primeiro automóvel puro sangue da
Chrysler, o Dodge Dart. Inicialmente o Dart era fabricado na versão
4 portas, em um único nível de acabamento e já
como linha 1970. Moderno e atual para a época, era basicamente
o modelo americano fabricado no mesmo ano.
Os principais atrativos do Dodge Dart eram suas linhas
retas e harmoniosas, demonstrando se um carro robusto e forte. Sua principal
virtude era seu motor
V8 (o maior motor
produzido no Brasil para veículos de passeio). Este motor possuía
5.212 centímetros cúbicos (cm3) ou 318 polegadas cúbicas
(pol3), gerando 198 HP (potência declarada pela Chrysler para
não aumentar a taxa de licenciamento que era maior para carros
com potência superior a 200 HP) e um torque de 41,5 kgm (Kilogramaforça
x metro) a 2.400 rpm (Rotações por Minuto), o que lhe
dava um funcionamento macio e silencioso, mas quando solicitado demonstrava
o por quê da fama dos motores 8 cilindros. Outro destaque do motor
era a sua impressionante durabilidade e a grande possibilidade de venenos.
O Dodge
Dart era um carro gosto de se guiar sendo dócil
e ágil, transmitindo segurança graças à
firmeza das suspensões (um pouco duras, mas não a ponto
de prejudicar o conforto) que o mantinha estável até nas
curvas mais fechadas.
Uns
dos problemas mais citados no lançamento do Dart era seu acabamento
pobre, motivado pela política da Chrysler de oferecer um carro
com preço mais baixo possível (NCr$ 23.950), abrindo-se
a um mercado situado entre as versões mais caras do Opala, Willys
Itamaraty e FNM 2150; e abaixo do Ford Galaxie/LTD. Outros inconvenientes
eram a baixa autonomia oferecida pelo tanque de apenas 62 litros, o
consumo de combustível, caixa de direção muito
desmultiplicada necessitando de muitas voltas para esterçar as
rodas, as calotas eram de difícil remoção, cinzeiros
pequenos e rasos, bancos dianteiros mal posicionados e os freios, não
que estes fossem ruins, mas seria aconselhável discos na dianteira
para melhorar a frenagem. Mas o que realmente atrapalhava era eixo traseiro
rígido, que não permitia boa aderência em pisos
irregulares.
Em testes o Dart cravou quase 180 km, acelerou de 0
a 100 Km/h em 12 segundos e consumiu 5,5 Km/Litro na cidade e 7 Km/Litro
na estrada.
A Chrysler oferecia diversos opcionais: Frisos nas
laterais e no contorno dos pára-lamas em alumínio, garras
de pára-choque, teto de vinil e pneus faixa branca. O Dart era
disponível nas cores Amarelo Carajá, Azul Profundo, Azul
Abaeté, Verde Imperial, Branco Polar, Vermelho Chavante e Preto
Formal. Os bancos podiam ser da cor verde, azul ou preto, dependendo
da cor da carroceria.
No
final de 1969 a Chrysler já tinha fabricado 3.366 unidades de
seu carro. Já em 1970, o Dodge Dart foi eleito o carro do ano
pela revista Auto Esporte. No mesmo ano se tornou o líder de
vendas no mercado de carros de luxo, tendo 41,4% do mercado. A Chrysler
queria mais, melhorou a linha de produção, chegando a
60 carros/dia. Também para melhorar a imagem do Dart, este começou
a ter como opcional freio a discos dianteiros com auxiliar a vácuo
(servo-freio). Ocorreram acertos no acabamento e suspensão, além
de melhoramentos no trambulador do câmbio.
Em Outubro de 1970 a Chrysler apresentou a nova linha
1971 lançando o Dart
Coupê, com duas portas sem coluna central
(visto que na época o mercado preferia carros duas portas). Oferecido
nas versões, Básica e Luxo, qual disponibilizava como
itens de série: Rádio, limpador de pára-brisa de
duas velocidades, luzes de ré, acendedor de cigarros e refletores
laterais; como opcionais existiam: Direção hidráulica,
garras nos pára-choques, friso central no porta-malas acompanhando
o centro das lanternas, frisos laterais e super
calotas (a versão básica vinha
com calotas
pequenas com a estrela de três pontas
da Chrysler). A calota pequena era estampada em aço e depois
cromada; e fixada na roda por "ranhuras" existentes na mesma,
sendo exclusividade da versão Coupê (o sedã continuava
a vir com as super calotas). Uma simplificação no Dart
foi a troca dos frisos de alumínio (opcionais) que marcavam a
linha de cintura, por uma faixa plotada em preto ou branco, que seguia
a linha superior da lateral.
Em 20 de Novembro de 1970 iniciava-se o 7º Salão do Automóvel,
inaugurando o Parque Anhembi, onde a grande sensação era
um novo esportivo nacional e um dos únicos “Muscle Car”
nacionais.
Curiosidades:
Um fato interessante é que a fábrica numerou o chassi
do primeiro dodge a partir de 500 para passar ao consumidor a impressão
de que a fábrica já tinha vendido pelo menos 500 Dodges!!!!
Outro motivo para isto, é que o consumidor poderia ter receio
de comprar um dos primeiros Dodges, com medo que estes viessem com defeitos
de fabricação.
Os Dodge Dart de 1969 modelo 1970 realmente tinham
o acabamento bem abaixo dos modelos fabricados após 1970, tanto
que não possuíam comando interno para abertura do capô,
este comando era uma trava após a grade do motor. Outro indício
de economia era a tampa do bocal de combustível que não
possuía chave. Mas esta foi uma estratégia da Chrysler
para reduzir o preço final do Dart e conseguir estabilizar o
modelo no mercado, mas na metade de 1970, a Chrysler mudou sua política
sobre os opcionais dos seus carros, sendo possível, então,
a instalação de alguns opcionais pelas concessionárias.
Isto favorecia o consumidor que podia comprar um carro mais barato e
sem luxo ou adquirir um carro mais completo. Estas mudanças se
refletem hoje na dificuldade de saber a originalidade de alguns itens
e identificar corretamente um carro, pois a plaqueta de identificação
dos Dodges, onde constam os opcionais, modelo, etc. não era atualizada
pelas concessionárias.
O Dodge Dart foi o primeiro automóvel nacional
a possuir frente
deformável, que tem como objetivo absorver
parte dos impactos frontais, diminuindo os riscos de ferimentos nos
passageiros. Mas o curioso é que este item foi testado no lançamento
do carro em São Paulo, quando um jornalista acabou acertando
uma árvore. Neste teste (ou susto) o jornalista saiu ileso, provando
a segurança do Dodge Dart.
Antes do lançamento do Dart Coupê, era
cogitado que este recebe-se um veneno leve que aumentaria sua potência
para 230 HP e que seria lançado o Dart GT, com motor de 383 polegada
cúbicas (6.279 cm3) e potência de 290 HP (pena que estes
boatos não se tornaram fatos).
Uma mudança quase imperceptível: as letras DODGE na tampa
traseira que eram centralizadas e bem divididas, após 1970 ficaram
posicionadas a direita do porta-malas e mais próximas umas das
outras.