Road and Track. (1971 - Charger)
Quando
o presidente da Chrysler do Brasil, Merle Imus, disse no lançamento
do Dart Coupê “O Natal para os aficionados por automobilismo
será em novembro”, não sabia o mito que se tornaria
este presente, pois no Salão do Automóvel eram lançados
os inesquecíveis Dodge
Charger e Dodge
Charger R/T (já como modelos 1971).
O primeiro era na verdade um discreto coupê, possante e de grande
luxo, possuía grade dianteira com faróis embutidos, interior
sofisticado, motor de 205 HP (mesmo motor do Dart, mas com escapamento
duplo), capota de vinil de série e colunas
traseiras alongadas.
Já
o sensacional Charger R/T (Road And Track – Estrada e Pista),
era o modelo esportivo da linha. Sempre oferecido com capota de vinil,
colunas traseiras alongadas, grade
com os faróis embutidos, largas faixas
pretas nas laterais (em formato de um C invertido) exatamente nos pára-lamas
traseiros junto com as faixas do dart, bancos reclináveis, volante
Walrood de três raios esportivo, câmbio
de 4 marchas com alavanca no assoalho, console, rodas
esportivas Magnum 500, freios dianteiros a disco, escapamento duplo
e direção hidráulica. Como opcional, existia somente
o ar condicionado. Já o motor era um caso a parte, com seus 215
HP (graças a taxa de compressão de 8,4:1), fazia com que
o Dodge Charger R/T acelerasse de 0 a 100 Km/h em cerca de 10 segundos
chegando a 190 Km/h, tornando-se o automóvel nacional mais rápido
em produção (marca esta que somente foi batida na década
de 90). Em compensação, este motor somente aceitava gasolina
azul, com maior octanagem que a gasolina amarela (a comum da época).
O modelo Charger diferenciava-se do Charger RT pela
motorização (outros pistões davam maior taxa de
compressão ao R/T), pelo câmbio de 3 marchas (mas o 4 marchas
no assoalho era opcional, junto com os bancos individuais), pela ausência
de faixas decorativas, pelo acabamento interno mais simples (sem couro),
pela roda de aço coberta pelas calotas do Dart de Luxo (as rodas
Magnum 500 eram opcionais ao Charger) e pelos pneus faixa branca (pneus
faixa vermelha no R/T- opcionais) . Outra diferença
era o preço: para o Charger Cr$ 32.688 e para o R/T Cr$ 40.988.
As cores disponíveis para esses carros eram as mesmas do Dart
1970: Preto Formal, Azul Guaíba, Amarelo Carajá, Branco
Polar, as metálicas: Vermelho Xavante, Azul Abaeté, Azul
Profundo, Ouro Espanhol, Verde Fronteira, Verde Minuano, Cinza Bariloche
e mais as exclusivas para os Chargers: Verde Tropical e Amarelo Boreal.
Em
1971, a Chrysler passou a oferecer a opção de transmissão
automática Torque-Flite de 3 marchas e ar condicionado para o
Dart Sedan e para os Chargers. Em julho a razão social da empresa
muda definitivamente para Chrysler Corporation do Brasil, em virtude
da absorção de ações restantes nas mãos
de terceiros. Até o final de 1971 foram fabricados quase 30.000
Dodges, demonstrando a qualidade dos avanços que empresa promoveu
em seus produtos, como as melhorias de acabamento, melhoria da segurança
com a adoção de freios dianteiros a disco e incremento
do conforto ao oferecer a direção hidráulica e
transmissão automática. Entretanto, os Dodges usados já
mostravam alguns problemas como falhas do Carburador DFV 446, tampa
do tanque de combustível que deixava vazar gasolina, o péssimo
tratamento da chapa e as vedações da carroceria que deixavam
entrar água e vento.
Em
1971 de cada 100 Darts que saiam de linha de montagem, 65 eram duas
portas, mostrando uma tendência que até a década
de 90 persistiu entre os consumidores. Em virtude do grande sucesso
dos carros duas portas e do Charger, a Chrysler decidiu lançar
um carro esportivo e barato, para concorrer com os esportivos mais baratos
vendidos no mercado.
Curiosidades: A Chrysler e principalmente
o Dodge Charger R/T viraram estrelas de cinema no filme “Roberto
Carlos a 300 Km/h” onde Roberto Carlos pilotava, em Interlagos,
o R/T que pegava na concessionária (em que ele e Erasmo Carlos
trabalhavam) para testar suas habilidades de piloto. Uma das gratificações
que Roberto Carlos recebeu pelo filme foi um Charger R/T na garagem,
doado pela Chrysler do Brasil. Este não foi o único filme
estrelado por Roberto Carlos com patrocínio e fornecimento de
veículos pela Chrysler; em “Roberto Carlos em Ritmo de
Aventura”, Roberto dividiu algumas cenas com um Chrysler Esplanada
e também foi presenteado com um veículo deste modelo.
A
Chrysler teve que chamar os proprietários dos Dodge Dart fabricados
com rodas de furação excêntrica para a troca destas,
que apresentavam defeitos. Este “recall” foi realizado em
1971. Em 1973 houve a troca do cilindro mestre / servo-freio de uma
série que apresentava excessivo desgaste. No “recall”
ocorrido em 1971, alguns disseram que isto foi provocado pela Chrysler
como uma forma de promoção, visto a fama que o Ford Corcel
ganhou após uma operação de recall.